Mocidade Independente de Padre Miguel

Fundação: 10 de novembro de 1955
Madrinha: Beija-flor de Nilópolis
Cores: Verde e Branco
Presidente Administrativo: Flavio Santos
Presidente de Honra: Rogério de Andrade

Fundado em 10 de novembro de 1955, o Grêmio Recreativo Escola de Samba Mocidade Independente de Padre Miguel tem suas origens em um time de futebol, o Independente Futebol Clube. Entre seus fundadores estão Silvio Trindade (Tio Vivinho), Alfredo Briggs Filho, Renato da Silva, Djalma Rosa, Olímpio Bonifácio, Ivo Lavadeira, Orozimbo de Oliveira, Mestre André, Tião Marino, Altamiro Menezes (Cambalhota), Geraldo de Souza (Prego), entre outros.

Conta-se que as comemorações dos jogos do Independente Futebol Clube eram realizadas no Ponto Chic, no bairro de Padre Miguel. Seus jogadores, bons de bola e excelentes na percussão, reuniam-se em rodas de samba que acabavam se transformando em um verdadeiro bloco carnavalesco. E sob as bênçãos de uma estrela, encarnando as cores verde e branco do uniforme esportivo, nasceu a Escola de Samba Mocidade do Independente.

Em 1956 a nova agremiação desfilou apenas no bairro de Padre Miguel com o tema “Navio Negreiro”, inspirado no poema de Castro Alves. No ano seguinte, passou a integrar os desfiles oficiais, realizados na Praça Onze, desfilando o enredo “Baile das Rosas” e conquistando a quinta colocação. Prenunciando a grande trajetória que o futuro lhe reservava, já em 1958 conquistou o campeonato do segundo grupo e carimbou sua ascensão à elite do carnaval. Desde então, a Mocidade faz parte do seletíssimo grupo de escolas de samba que nunca foram rebaixadas do Grupo Especial.

A estreia entre as grandes escolas, em 1959, deu o tom da ousadia que viria a ser uma de suas características mais marcantes. O samba-enredo em homenagem a Carlos Gomes, Olavo Bilac e Rui Barbosa trazia um trecho melódico inspirado diretamente na obra “O Guarani” (os famosos acordes que marcaram época no programa A Voz do Brasil).

Tamanha ousadia só poderia ser complementada pela criação, neste mesmo ano, da famosa “Paradinha” da bateria, cujas versões são muitas. A mais difundida aponta para um escorregão de Mestre André que fez com que a bateria parasse de tocar. O mestre se levantou, apontou para o repique, que entrou no tempo, e os instrumentos voltaram a tocar. O povo foi ao delírio e Padre Miguel passou a ser a capital da escola que melhor tocava no carnaval. A eterna bateria nota 10!

Firmando-se entre as escolas do primeiro grupo, a Mocidade manteve-se em colocações intermediárias durante as décadas de 1960-70, sendo seu melhor resultado o quarto lugar em 1970 com o enredo “Meu Pé de Laranja Lima”. Nesse período a força de sua bateria era fundamental para a agremiação, conhecida como “uma bateria que carregava a escola nas costas”.

“Delira, meu povo, neste festejo colossal”

Na gestão de Osman Pereira Leite, a partir de 1974, a escola passou a investir na profissionalização para enfim tornar-se competitiva. Contando com o apoio de Castor de Andrade, que abraçou a agremiação no princípio da década, foi contratado o carnavalesco Arlindo Rodrigues. Começava então a trajetória de ascensão e a primeira era de grandes desfiles protagonizados pela Mocidade.

Pelas mãos de Arlindo Rodrigues a Mocidade desfilou enredos brasileiríssimos, de forte cunho cultural, marcados pelo luxo de seus figurinos e pelo barroco de sua criação. Foram cinco carnavais: festa do Divino, uirapuru, Mãe Menininha, brasiliana e descobrimento do Brasil. E “convocando o povo para entoar um poema de amor” a Mocidade ganhou seu primeiro título no grupo principal, em 1979, cantando justamente o Descobrimento do Brasil.

Nos anos 1970, a escola já contava com uma respeitável ala de compositores formada por Tôco, Cleber, Gibi, Arsênio, Djalma Santos, Dico da Viola, entre outros. Na avenida ecoavam duas das vozes mais marcantes do carnaval, e da música brasileira: Elza Soares e Ney Vianna. E a fama da bateria de mestre André extrapolava os limites do carnaval para gravar LPs exclusivos, compondo uma série de discos intitulada “Bateria Nota 10”.

Tupiniquizando cidades

Em 1980, um carnavalesco assume a Mocidade trazendo um novo estilo. Começava a era de genialidade de Fernando Pinto, marcada pelo segundo campeonato em 1985, com “Ziriguidum 2001”, e pelo antológico “Tupinicópolis” (1987).

Fernando Pinto produziu uma Mocidade indígena, sensual, tropicalista. Rompeu com os enredos históricos tradicionais e foi viajar para espaço criando um corso interplanetário, com o sol a pino, sem medo de ser feliz. Vendeu muamba, demarcou terras no Xingu e, mantendo a veia ousada, fundou uma metrópole Tupi em que índios andavam de patins, o shopping era boitatá e tudo se vestiu de uma “estética pós-Marajoara Tupinicopolitana”.

Seis carnavais levaram a assinatura desse mestre que partiu cedo, num acidente de carro ao retornar da quadra da Mocidade, nos preparativos para o desfile de 1988. A marca Fernando Pinto ultrapassou as gerações carnavalescas e, até hoje, ainda fascina os amantes da folia e influencia novos profissionais.

Na década de 1980, a escola de Padre Miguel inovou ao criar o posto de Rainha da Bateria com Adele Fátima, em 1980. O cargo ganhou fama com Monique Evans a partir de 1984 e logo se espalhou pelas demais agremiações. Em 1982, a Mocidade desfilou um de seus mais bonitos sambas-enredo, “O Velho Chico”; e se despediu dos imortais mestre André (1980) e Ney Vianna (1989).

“De corpo e alma na avenida”

Grandes carros alegóricos abusando de efeitos especiais, enredos de temática universal, e uma concepção clean, futurista e high tech de criação marcam a era Renato Lage na Mocidade. Sua estreia junto a Lilian Rabelo, em 1990, trouxe o terceiro campeonato e iniciou um período em que a escola passaria a ser conhecida como “papa-títulos”. Foram três conquistas (90-91-96), dois vices (92-97), e uma série de desfiles considerados campeões pelos especialistas e fãs do carnaval.

Virando nas viradas da vida, a Mocidade legou imagens e personagens marcantes para o imaginário carnavalesco como as comissões de frente de mergulhadores, franksteins, sapos-cururus, pernas de pau e monociclos; as alegorias do garoto jogando videogame, de Adão e Eva, do coração pulsante, do pierrô, da nave espacial e do globo da morte; os casais de mestre-sala e porta-bandeira (Alexandre, Rogério, Babi, Lucinha); as vozes de Paulinho Mocidade e Wander Pires; os sambas de pegada fácil, refrões fortes e que caíram no gosto popular, entre muitas outras lembranças.

Riscando o chão de poesia

Apostando num enredo de cunho social – a doação de órgãos, a Mocidade surpreendeu e emocionou o público em 2003, com um grande desfile assinado por Chico Spinoza. Posteriormente, mesmo trilhando um caminho que a distanciou da trajetória de disputas de campeonatos que lhe era característica, a Mocidade realizou grandes carnavais assinados por nomes como Paulo Menezes, Mauro Quintaes, Alex de Souza, Cid Carvalho e Alexandre Louzada, entre outros.

“Deixa a Mocidade te levar!”

A nova virada na história da Mocidade aconteceu em 2014 com a gestão liderada por Rogério de Andrade, sobrinho do eterno Castor de Andrade, Wandyr Trindade (o vô Macumba), Rodrigo Pacheco, e uma equipe de profissionais dispostos a reestruturar, profissionalizar, modernizar e colocar a escola novamente no caminho dos títulos. O resultado desse trabalho foi o sexto título, conquistado no Carnaval 2017.

Fonte: Site Oficial da Escola

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