Beija-flor de Nilópolis

Fundação: 25 de dezembro de 1948
Madrinha: Portela
Cores: Azul e Branco
Presidente Administrativo: Ricardo Abrahão David
Presidente de Honra: Anísio Abraão David

O município de Nilópolis, na Baixada Fluminense, é o berço da Beija-flor. A cidade e a escola de samba trilharam caminhos semelhantes, uma vez que parte dos governantes administrava a agremiação. Nilópolis integrou parte da capitania hereditária de São Vicente, pertencente a Martim Afonso de Sousa, a partir de 1531. Foi dividida em sesmarias e, mais tarde, transformada na Fazenda de São Mateus, tornando-se um grande engenho produtor de açúcar e aguardente. Em 22 de setembro de 1900, a região foi vendida ao criador de cavalos e mulas João Alves Mirandela e seu sócio Lázaro de Almeida.

Os principais locais de sociabilidade da cidade estão situados nas imediações da estação de trem: A Avenida Mirandela (onde a escola realiza seu tradicional desfile pós-carnaval); e do outro lado, a Praça Paulo de Frontin (Antigo palco das manifestações públicas e do carnaval de rua).

Apesar do forte comércio e da presença de indústrias, é a escola de samba a maior expressão do município. Juridicamente “G.R.E.S. Beija-flor”, a escola passou a ser chamada formalmente de “Beija-flor de Nilópolis”, tamanha identificação. Na cidade, também é comum locais de comércio que levam o nome da escola, sem ligação com a agremiação, apenas em forma de homenagem. No pórtico de entrada da cidade, foi construída uma escultura de um beija-flor, em homenagem à azul e branco. A escultura foi retirada pelo prefeito Alessandro Calazans em seu mandato. Porém, seu sucessor, Farid Abrahão David, ao ser eleito em 2016, anunciou a reconstrução da escultura.

Ligação com o poder público

No início do Século XX, imigrantes judeus, principalmente sírio-libaneses, se fixaram na cidade, dentre eles, os patriarcas das famílias Sessim e Abraão David, que se estabeleceram como comerciantes locais. Na década de 1960, a família iniciou carreira na política. Em 1962, o médico Jorge Sessim David foi eleito deputado estadual pela UDN. Em 1972, Simão Sessim foi eleito prefeito de Nilópolis pela ARENA. Na mesma época, Anísio Abraão David (primo de Simão) e seu irmão, Nelson Abraão David, entraram para o jogo do bicho, controlando as bancas de aposta em Nilópolis. A ascensão da família Abraão Sessim, coincide com a da Beija-flor.

Fundação

O Bloco Associação Carnavalesca Beija-flor (mais tarde escola de samba) foi fundado em 25 de dezembro de 1948 por um grupo de amigos formado por Milton de Oliveira (Negão da Cuíca), Edson Vieira Rodrigues (Edinho do Ferro Velho), Valentim Lemos, Helles Ferreira da Silva, Hamilton Floriano, José Fernandes da Silva e os irmãos Mário Silva e Walter da Silva. O grupo comemorava o Natal na esquina da Avenida Mirandela com a Rua João Pessoa, no Centro de Nilópolis, quando tiveram a ideia de criar um bloco carnavalesco para suprir a extinção dos blocos Irineu Perna-de-Pau e dos Teixeiras. A reunião oficial do Bloco ocorreu no Grêmio Teatral de Nilópolis. Negão da Cuíca foi eleito presidente e Edinho do Ferro Velho foi eleito secretário do Bloco. Durante a reunião, também foram escolhidos nome, cores, símbolo e madrinha da agremiação.

A transformação em escola

Em 1953, através da articulação do compositor Cabana, que morava em Nilópolis, mas tinha família oriunda do Rio Comprido, na capital, começou-se as articulações para a transformação do bloco em escola de samba, que se inscreveu na Confederação Brasileira de Escolas de Samba para participar dos desfiles do segundo grupo carioca, onde obteve a primeira colocação. Seu primeiro presidente, após a transformação em escola de samba, foi José Rodrigues Sennas, ex-militar, morador da comunidade, que não estava entre os fundadores originais, mas foi convidado por eles para assumir o posto. Vice-campeã do segundo grupo, novamente, em 1962, foi novamente rebaixada após o 10º e último lugar de 1963. Em 1964, amargou novo rebaixamento, indo parar na terceira divisão do carnaval. Em 1965, Anísio, ex-adversário, então já em ascensão no jogo do bicho, teve uma rápida passagem pela presidência da escola. Posteriormente, seu irmão Nelson foi eleito presidente, em 1972, derrotando em eleição o ex-presidente Helles, e um terceiro candidato.

Após vários anos pelas divisões inferiores, apenas em 1973, o primeiro sob a administração de Nelson, quando apresentou um enredo sobre a educação, conquistou o vice-campeonato do segundo grupo, retornando à divisão principal. A partir de então, seu irmão Anísio tornou-se patrono e presidente de honra, transformando-se numa espécie de mecenas, e assumindo cada vez mais as decisões na escola.

Os anos de Joãozinho Trinta

A história da agremiação, pode ser dividida em duas partes: Antes e depois de Joãozinho Trinta, que assumiu o cargo de carnavalesco em 1976, com um enredo em homenagem ao jogo do bicho. Cantando os antigos carnavais, foi bicampeão em 1977. No ano seguinte, com “A Criação do Mundo na Tradição Nagô”, consagrou a azul e branco nilopolitana a terceira escola a conseguir um tricampeonato.

Vice-campeão em 1979, voltou a vencer em 1980, desta vez, empatada com Portela e Imperatriz. Seu último título na agremiação foi em 1983, cantando “A Grande Constelação das Estrelas Negras”. Nos anos oitenta, ainda foi vice-campeão em 1981, 1985 e 1986 (ano de “O Mundo é uma Bola”).

Em 1989, a escola, conhecida pelo luxo de suas alas e alegorias, surpreendeu o público com o enredo “Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia” levando para o Sambódromo carros e alas repletos de lixo, além de uma réplica do Cristo Redentor mendigo. Após uma ação judicial proposta pela Igreja Católica, a imagem foi proibida pela Justiça, e a alegoria passou pelo desfile coberta por um plástico, a frente do qual se podia ler “Mesmo proibido, olhai por nós”. Foi vice-campeã, com aclamação popular. No meio do desfile das campeãs, integrantes da escola arrancaram o plástico que cobria o cristo, levando o público ao delírio e a plateia a aplaudir.

Em 1990, em protesto ao regulamento do carnaval que proibia a nudez frontal, realizou o enredo Todo Mundo Nasceu Nu. O resultado foi um novo vice-campeonato. No ano seguinte, Alice no Brasil das Maravilhas levou a escola ao quarto lugar. Em 1992, um casal desfilou completamente desnudo. Joãozinho Trinta foi levado à Delegacia de Policia, onde alegou que era uma homenagem a obra de Leonardo Da Vinci. Encerrou seu ciclo nilopolitano com o sétimo lugar, pior colocação da escola em 17 anos.

Neguinho da Beija-flor

Em 1976, o cantor e compositor foi apresentado por Laíla ao presidente da Beija-flor, Anísio Abraão David para assumir o posto de intérprete da escola, substituindo Bira Quininho, recém falecido. Ainda utilizando o nome “Neguinho da Vala”, Luiz Antônio Feliciano Marcondes participou e venceu a disputa de samba-enredo daquele ano.

Em sua estreia na agremiação, e cantando um samba de sua autoria, Neguinho e a escola foram campeões do Carnaval de 1976. Com o passar do tempo, devido à forte identificação com a agremiação, o cantor adotou o nome de Neguinho da Beija-flor. Em 2016, ele completou 40 anos ininterruptos como intérprete oficial.

Nome, cores e símbolo

Após horas de reunião, os integrantes do bloco não chegavam a um consenso sobre o nome da nova agremiação. “Flor do Abacate” teria sido uma das sugestões. Após muita indecisão, Dona Eulália, mãe de Negão da Cuíca (o presidente do bloco) sugeriu o nome Beija-flor. O nome foi inspirado no Rancho Beija-flor, que existia na cidade de Valença, na região serrana do Rio e que Dona Eulália desfilava quando mais nova. Dona Eulália foi admitida como fundadora do Bloco por ter escolhido seu nome, sendo a única mulher entre os fundadores.

Há duas versões para a escolha das cores azul e branco. Uma versão sustenta que seria em homenagem à Nilópolis, que desde 1947, com sua emancipação, passou a adotar as duas cores em sua bandeira. A outra versão aponta para uma inspiração na bandeira de Israel. A escola madrinha da Beija-flor é a Portela. É comum o beija-flor, símbolo da agremiação, vir representado em alegorias dos desfiles da escola, principalmente no carro abre-alas.

A Beija-flor é conhecida como “A Deusa da Passarela” e “Maravilhosa e Soberana”. Também é comum utilizar o gentílico da cidade de Nilópolis (nilopolitana). Algumas composições da agremiação fazem referência a esses apelidos, como os sambas de 2007 (“Então dobre o Run / Pra Ciata de Oxum imortal / Soberana do meu carnaval, na princesa nilopolitana”); de 2014 (“A Deusa do samba na Passarela / A marca do carnaval… É ela”); de 2015 (“Oh minha deusa soberana / Resgata sua alma africana”); e de 2016 (“Sou Beija-flor, na alegria ou na dor / A deusa da passarela, é ela! / Primeira na história do Marquês / Que na Sapucaí é soberana / De fato nilopolitana”).

Bandeira e logomarca

A bandeira, ou pavilhão, possui em dezesseis raios de cores intercaladas (oito azuis e oito brancos) partindo de uma circunferência central de cor branca em direção às extremidades da bandeira. Dentro a circunferência central está a logomarca da escola, em detalhes azuis. A logomarca da bandeira consiste em um beija-flor beijando uma flor; a inscrição “G.R.E.S. Beija-flor de Nilópolis”; e estrelas azuis na quantidade de títulos de campeã da escola. Abaixo da circunferência central, na parte inferior da bandeira, está inscrito o ano de utilização da mesma. Ao longo dos anos a bandeira da escola sofreu um processo de escurecimento. Até o desfile de 1995 era utilizada a cor azul claro. O tom de azul foi sendo escurecido até que, em 2010, foi lançado o modelo vigente, em azul escuro. A bandeira pode sofrer pequenas variações a cada ano, como, por exemplo, a disposição de cores dos raios.

A logomarca da escola, adotada desde 30 de julho de 2017, consiste no desenho de um beija-flor azul, beijando uma flor estilizada, com pétalas formadas por cinco corações, cada um com uma cor e um significado diferente. Os corações representam os projetos sociais da Beija-Flor. O coração verde representa os projetos ambientais; o coração amarelo, o carnaval; o coração roxo, a educação; o coração laranja, a profissionalização; e o coração vermelho, os esportes. Abaixo do desenho, a inscrição “G.R.E.S. Beija-flor de Nilópolis” em letras azuis. A logomarca utilizada anteriormente continha a foto de um beija-flor beijando uma flor, o nome da escola e estrelas representando os títulos de campeã da agremiação.

Fonte: Wikipedia

SAMBAS-ENREDO

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