Beija-flor de Nilópolis vai ecoar o “grito dos excluídos” na Marquês de Sapucaí

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Foto: Eduardo Hollanda

Duzentos anos depois, a Beija-flor vai ecoar o grito dos excluídos na Avenida, defendendo um novo Dia da Independência em seu próximo desfile oficial. A azul e branco da Baixada Fluminense lançou neste sábado (2), o enredo intitulado “Brava Gente! O grito dos excluídos no bicentenário da Independência”. A proposta tem assinatura dos carnavalescos Alexandre Louzada e André Rodrigues, em parceria com o pesquisador Mauro Cordeiro. A divulgação aconteceu na quadra, em Nilópolis, em meio à tradicional feijoada realizada todos os meses.

“A ideia é provocar na mente das pessoas que a Independência não deveria ser comemorada em 7 de setembro e sim em 2 de julho, pois é a data em que se celebra a expulsão das tropas portuguesas da Bahia em 1823, um triunfo nacional com forte protagonismo feminino e afro-ameríndio”, explica Rodrigues, recentemente convidado por Louzada para assinar o Carnaval da agremiação.

Sendo assim, a comemoração do bicentenário não seria em 2022, mas, sim, em 2023, onde se completam 200 anos desta vitória. A Deusa da Passarela quer propor novos marcos e símbolos nacionais a partir do protagonismo popular, desde a Independência até os dias atuais, e pretende transformar o desfile em um grande ato cívico.

“Levaremos para Avenida uma nova perspectiva destes fatos históricos, postos sob uma visão carnavalesca, sonhando com possibilidades de novos Brasis”, completa Rodrigues.

Antes mesmo do anúncio, a Beija-flor movimentou as redes sociais e intrigou torcedores com ações e intervenções repletas de criatividade e impacto, realizadas ao longo do mês de junho.

Na primeira delas, a escola espalhou cartazes pela Baixada Fluminense e Zona Norte do Rio com os dizeres “Independência pra quem?” e “O que vamos comemorar no Carnaval 2023?”. A segunda ação foi a interdição do seu barracão na Cidade do Samba, na Zona Portuária da cidade, que teve uma das entradas fechada e pichada com palavras de ordem, como “Educação”, “Direitos iguais” e “O Brasil está com fome”.

Ao mesmo tempo, na internet, a instituição relembrou seus desfiles de temática crítica e social, na série chamada “A Beija-flor em movimento”.

“O nosso desfile será um monumento vivo aos verdadeiros heróis da liberdade. Além dessa batalha, também vamos aclamar todos os movimentos sociais significativos que buscaram a libertação da nossa pátria, da Indendência até hoje”, descreve Louzada
“Queremos entender se, de fato, desatamos as amarras em relação à Coroa Portuguesa ou só trocamos o poder de mãos. E onde o povo brasileiro estava nesse episódio, bem como os ideais de liberdade e igualdade”.

O novo enredo é uma das apostas para conquistar o 15º campeonato de sua história — em 2022, “Empretecer o pensamento é ouvir a voz da Beija-flor”, rendeu o título de vice-campeã. A transição entre os temas foi aplaudida pelo público da quadra, satisfeito com o novo lema e também com a feijoada preparada sob o comando de Tia Débora, presidente da Velha-Guarda.

Junto a Louzada e Rodrigues, o lançamento contou com as participações do presidente Almir Reis e do Diretor de Carnaval Dudu Azevedo. Os detalhes do enredo, anteriormente apresentados a Anísio Abraão David, presidente de honra, foram fortemente aplaudidos pela comunidade.

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