Mangueira, Salgueiro e Viradouro fazem os melhores desfiles da noite no Grupo Especial

0
Foto: Allan Duffes e Nelson Malfacini

IMPERATRIZ LEOPOLDINENSE

A Imperatriz Leopoldinense voltou ao Grupo Especial e fez jus à missão de abrir o principal grupo do Rio de Janeiro após mais de dois anos sem Carnaval devido à pandemia. O encontro Rosa Magalhães, Imperatriz e Arlindo Rodrigues trouxe alegorias e fantasias luxuosas, misturando a estética dos dois carnavalescos que mais representam o estilo clássico da escola.

Logo no início, o desfile impressionou pelo alinhamento entre a enorme locomotiva da Comissão de Frente, o tripé trazendo a figura do homenageado e o abre-alas com o Theatro Municipal. Destaque também para a bateria de Mestre Lolo e para os integrantes da comissão que levaram bons efeitos e traduziram com irreverência e bom humor o enredo.

Foto: Allan Duffes e Nelson Malfacini

As fantasias eram luxuosas, de bom gosto e com materiais que foram consagrados pelo carnavalesco homenageado. Único ponto negativo foi a irregularidade na harmonia, que alternou algumas alas cantando muito e outras nem tanto. Com o enredo “Meninos eu vivi… Onde Canta o sabiá, onde cantam Dalva e Lamartine”, a Rainha de Ramos abriu a primeira noite de desfiles do Grupo Especial encerrando o desfile com 67 minutos.

Na armação, João Drumond discursou prestando uma homenagem ao avô falecido no ano passado, o eterno patrono Luiz Pacheco Drumond. A cantora Iza esbanjou simpatia a frente da bateria Swing da Leopoldina com a fantasia “Matriz brasileiro – As cores da Terra”, representando o avistamento dos portugueses ao novo continente. Os ritmistas vieram representando o descobrimento do Brasil, um dos temas que Arlindo mais gostava de contar na Avenida.

Lolo e seus diretores fez uma homenagem ao icônico Mestre André, inventor das famosas paradinhas. O último carro, além de trazer imagens de Arlindo em um telão também trouxe vídeos com Luizinho Drumond, o responsável pela escolha do enredo e a volta de Rosa a Imperatriz.

O ex mestre-sala Chiquinho causou forte emoção ao vir sozinho na alegoria “A sagração no altar da Bahia”, sua falecida mãe, a porta-bandeira Maria Helena originalmente também viria nesta posição do desfile. A carnavalesca veio sentada no último carro.

ESTAÇÃO PRIMEIRA DE MANGUEIRA

Um presente para os mangueirenses, assim foi o desfile da Estação Primeira de Mangueira. Predominante em verde e rosa, foi a primeira vez que o carnavalesco Leandro Vieira utilizou tanto as cores nas fantasias e alegorias desde que chegou a escola. O capricho impressionou, foi um show de bom gosto, com muito volume, as alas tinham acabamentos maravilhosos e a leitura era fácil, o mesmo vale para as alegorias, que contaram o enredo de forma clara.

A Comissão de Frente emocionou homenageando Nelson Sargento, o mesmo valeu para Squel e Matheus. O casal de mestre-sala e porta-bandeira desfilou na frente da bateria e contou com umas das fantasias mais bonitas que já usaram na Mangueira.

Foto: Allan Duffes e Nelson Malfacini

A bateria do Mestre Wesley se apresentou de forma impecável pela Avenida, representando a “Saudosa Mangueira”, a fantasia impressionou pela riqueza de detalhes. A rainha da bateria, Evelyn Bastos mais uma vez encantou o público na Sapucaí. Com muito samba no pé, a rainha desfilou com a mesma garra e determinação de anos anteriores. A frente do carro em homenagem a Jamelão, desfilaram Alcione e Rosemary, ambas muito aplaudidas pelo público.

ACADÊMICOS DO SALGUEIRO

Terceira escola a desfilar no Grupo Especial já na madrugada deste sábado (24), o Acadêmicos do Salgueiro apresentou conjunto estético impecável de Alex de Souza. Fantasias luxuosas, grandes alegorias e bem acabadas se destacaram em sua apresentação. A Comissão de Frente e o casal de mestre-sala e porta-bandeira também brilharam. Contudo, a vermelho e branco pecou algumas vezes em evolução e a grandiosidade de alguns figurinos pode ter atrapalhado a leitura do enredo, o que deve tirar a academia da briga pelo título que fez seu desfile em 70 minutos.

De Cabocla Jurema, a rainha de bateria Viviane Araújo também estava com uma fantasia belíssima, em tons de vermelho e verde e uma pequena onça no ombro. Passistas como Reis e Rainhas da Rua, em alusão a Exu riscaram o chão vestindo um lindo figurino. Os ritmistas comandados pelos Mestres Guilherme e Gustavo apresentaram três bossas e usavam a fantasia “Umbanda – Gira de Caboclo”, com cores em vermelho, preto e dourado, além de uma coreografia onde agachava e colocava os braços pra cima, com punho em riste.

Foto: Allan Duffes e Nelson Malfacini

A escola tijucana encerrou o desfile com uma grande encenação na última alegoria. O carro, chamado de “A Resistência Continua”, faz alusão a uma praça pública, e é envolvido por manifestantes que pedem o fim do preconceito racial. Um obelisco com a palavra “Racismo”, então é derrubado, para simbolizar a queda desse preconceito.

A parte de trás da alegoria ainda remeteu ao Morro do Salgueiro no período de fundação da escola, em menção à favela reproduzida por Arlindo Rodrigues no Carnaval de 1984. Com riqueza de detalhes, o carro parecia mesmo uma grande praça no meio da Sapucaí, com impecável acabamento. Todo conjunto alegórico do Salgueiro funcionou e causou verdadeiro impacto visual sem problemas aparentes.

SÃO CLEMENTE

Quarta agremiação a desfilar no primeiro dia de desfiles do Grupo Especial, a São Clemente teve como enredo uma das figuras mais carismáticas do entretenimento brasileiro, o ator e comediante Paulo Gustavo. Além dos sucessos no cinema e TV, a vida pessoal do ator também esteve presente na narrativa da escola da Zona Sul. Passagens como o casamento no Parque Lage com o dermatologista Thalles Bretas e a chegada dos filhos Romeu e Gael foram marcados no final do 2º setor e início do terceiro.

De fato mais do que apenas ilustrar estas passagens e se posicionar ao lado da aceitação e do amor, a escola resolveu trazer casais da vida real para integrar a alegoria 3, “Thalles e as crianças”, além do próprio que desfilou no topo do carro. A alegoria fazia uma brincadeira com a heteronormatividade que estão imbuídos nos contos de fada, uma vez que nestas histórias sempre partimos da premissa que um príncipe exclusivamente se apaixonará por uma princesa. Na contramão desta ideia, a escola trouxe inúmeros casais de príncipes e princesas na fantasia.

Foto: Allan Duffes e Nelson Malfacini

O clima de satisfação em bradar o amor em meio as ondas conservadoras e preconceituosas que claramente se tornaram tão evidentes nos últimos tempos era visível nos componentes desta alegoria. A servidora pública Mariana Maia contou sobre a felicidade em casar no cartório com a atual mulher, Lorena Maia: “Casamento no papel no cartório, minha mãe fez uma chuva de arroz no meio do cartório”, relembrou Mariana.

A esposa Luciana acredita que Paulo Gustavo concedeu visibilidade a causa LGBTQIA+ e ajudou que muitas famílias tivessem mais tolerância e complacência seus respectivos parentes gays: “Ele exemplo para todo mundo, pois criou uma família linda. Muita gente começou a admirar o Gustavo como artista e viu um cara homossexual com dois filhos. E muita gente que tinha preconceito viu aquilo e detectou um casal como outro qualquer. As pessoas imaginam que existe muita promiscuidade nesse mundo gay e não é isso. Nós somos um casal como qualquer casal”, frisou a fonoaudióloga.

UNIDOS DO VIRADOURO

A Unidos do Viradouro trouxe todo o lirismo do carnaval de 1919, para mais uma vez fazer um desfile com alto padrão de qualidade tanto na parte visual como nos quesitos de chão. A Comissão de Frente, outro destaque, aliou boa coreografia com efeitos surpreendentes e emocionou ao entregar a chave da cidade voando pela Sapucaí direto até o Rei Momo no alto do elemento cenográfico que representava o mundo renovado pós pandemia.

As alegorias eram enormes e as fantasias bastante volumosas. A vermelho e branco não errou em evolução e apresentou uma boa harmonia. Com o enredo “Não há tristeza que pode suportar tanta alegria”, a escola foi a quinta a desfilar na Passarela do Samba no primeiro dia de desfiles do Grupo Especial encerrando sua trajetória em 67 minutos.

O quesito fantasia foi outro ponto alto do desfile. Volumosas em sua maioria, faziam com que as alas tomassem a pista por completo em largura. E não pareciam oferecer limitações de movimento para os componentes, além de serem de fácil leitura. Importante citar também, o trabalho destacado de maquiagem em praticamente todas as alas, algo que já vem sendo comum nos desfiles da agremiação.

Foto: Allan Duffes e Nelson Malfacini

A escola de Niterói também trouxe alguns grupos performáticos como “Linha de frente da Cruz Vermelha” e “Cirque American-France”, que fazia referência ao picadeiro presente no título da fantasia e no final do desfile “Circo de Março de 1919”, que formava com algumas peças a mensagem “Carnaval te amo, na vida és tudo pra mim” e a data também citada na letra do samba.

Os diretores de harmonia vieram vestidos de médicos em uma homenagem aos grandes heróis da pandemia. A bateria comandada por Mestre Ciça vestia a fantasia “tropa do caveira”, representando dois dos principais parceiros do fundador do Bola Preta. O mestre veio de Caveirinha, homenageando o fundador Álvaro Gomes de Oliveira. A atriz Erika Januza, rainha de bateria, representava a “Rainha do Bola”, musa que inspirou os fundadores na primeira apresentação do cordão em 1919.

BEIJA-FLOR DE NILÓPOLIS

Última escola a pisar na Avenida no primeiro dia de desfiles do Grupo Especial, a Beija-flor de Nilópolis voltou aos tempos de imponência e luxo na Sapucaí. Com carros alegóricos gigantes e bem acabados, e com fantasias impecáveis, a Deusa da Passarela foi irretocável na parte plástica. No entanto, cometeu alguns erros de evolução, teve ausência de composições na segunda alegoria e somou problemas na apresentação do casal de mestre-sala e porta-bandeira. A agremiação cruzou o Sambódromo em 67 minutos.

Seu desfile acumulou alguns problemas de evolução durante a passagem pela pista de desfile. Logo no início, a segunda alegoria demorou a entrar no Sambódromo, o que fez com que a escola retardasse o passo na Avenida. O motivo foi a tentativa de colocar algumas pessoas nos lugares de destaque do carro. Assim permaneceu por alguns minutos até o carro avançar e os segmentos voltarem a andar novamente. Por conta do atraso, a escola teve que correr no fim, e várias alas e as três últimas alegorias passaram de forma muito rápida nas cabines de jurado do setor 11.

Foto: Allan Duffes e Nelson Malfacini

A rainha de bateira, Rayssa Oliveira desfilou com uma fantasia em dourado chamada “Poétnica”. Os ex-BBBs Natália Deodato e Babu, o ator Hélio de La Peña também desfilaram na azul e branco nilopolitana. A fantasia da bateria “Gramática do Tambor: Nei Lopes”, tinha detalhes em prateado. A grande baluarte e homenageada na Avenida, Pinah veio à frente do último carro.

SIGA-NOS

INSCREVA-SE

VÍDEOS EXCLUSIVOS

Artigo anteriorLIESA – Desfiles Oficiais
Próximo artigoParaíso do Tuiuti
redacao@carnavalcarioca.net.br

Deixe uma resposta:

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.