Acadêmicos do Cubango

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Acadêmicos do Cubango
“Onilé Cubango”
Carnaval 2021

S I N O P S E

Onilé, orixá da terra, é uma divindade feminina que representa a base de toda a vida, a Terra-Mãe, e é relacionada a tudo que há sobre o Planeta Terra. Originalmente exerce seu patronato sobre tudo que se relaciona á apropriação da natureza pelo homem, o que inclui a agricultura, a caça e a pesca e a própria fertilidade

Grande parte dos seguidores do candomblé nunca ouviu falar ou teve apenas vagas referências sobre Onilé, mas em antigos terreiros da Bahia e em candomblés africanizados, preservam tradições que em grande parte se perderam na diáspora iorubana. Onilé é assentada num montículo de terra vermelha e acredita-se que guarda o planeta e tudo que há sobre ele, protegendo o mundo em que vivemos e possibilitando a própria vida. Para muitos seguidores da religião dos orixás, interessados em recuperar a relação orixá-natureza, o culto de Onilé representaria, assim, a preocupação com a preservação da própria humanidade e de tudo que há em seu mundo, “Eu saúdo o orixá / Saúdo Onilė / Salve a Senhora da Terra”.

A criação do Mundo

No principio, Olorum o ser supremo, governador do plano divino (Orun) resolveu criar a Terra (Aiê) e deu a cada orixá um pedaço do mundo, uma parte da natureza de acordo com o gosto de cada um. Então Odudua criou a Terra e todo o universo, Oxalá ficou com a criação do homem e todos os seres a partir do barro de Nanã, Oxumaré com o movimento da Terra e o ciclo da natureza, Iemanjá com os mares e oceanos, Oxum com os rios e cachoeiras, lansã com os ventos e os raios, Xangô com os trovões e o fogo, Ogum com o ferro e todos os metais, Oxóssi com as matas e todos os animais, Ossaim com as folhas e as ervas medicinais e a Obaluaê foi reservado o poder da cura de todas as doenças e pestes. O governo da Terra ficou com Onilé, responsável por tudo que é produzido e extraído da terra, faz a representação do poder ancestral do planeta Terra. Então Olorum retirou-se do mundo para sempre e deixou o governo de tudo por conta dos orixás. Eles são o próprio mundo, com suas forças, elementos, energia e propriedades, mundo que tem por base Onilé, a Terra, o planeta que habitamos, nosso mundo material.

Os senhores da Terra

Provém de Odudua todos os elementos que compõem a natureza e que foram entregues aos orixás para serem por eles administrados e cuidados. Assim, Onilé também precisa dos orixás para manter em pleno funcionamento o Planeta Terra.

Algumas divindades estão diretamente em contato com o solo, cuidando e preservando, como Nanã, Oxumaré, Oxóssi, Ossaim, Ogum e Obaluaê. Essa ligação é através da agricultura, das matas, dos metais retirados do seio da terra ou da lama. E eles são denominados também de Onilés, os senhores da terra, porque a sua primazia é zelar pelo meio ambiente, mantendo o equilíbrio e a vida do planeta.

A sagrada Terra

A Terra é o símbolo sagrado por excelência, e Onilé é a guardiã desse espaço sagrado que carrega no seu interior o mistério da vida e da reprodução. Generosa e poderosa permite uma interação perfeita e equilibrada entre os elementos da natureza e o ser humano. Se o homem a protege e respeita, ela lhe dá tudo o que produz, sendo abundante em sua diversidade. Com suprema sabedoria, acolhe e fecunda sementes, gerando assim novas vidas e novas gerações. O mar, os rios, as matas e as florestas possuem vida em abundância, graças a diversidade e a generosidade dessa divindade.

O Planeta Terra em nossas mãos

Tudo que Olorum criou junto com os orixás, a humanidade vem degradando em ritmo catastrófico. Onilé não suporta mais as adversidades que o homem lhe impõe, materializando situações extremas em resposta ao desequilíbrio por ele provocado, pois a sobrevivência da humanidade depende diretamente da preservação do meio ambiente.

Dessa forma, cabe ao homem, como um ser provocador de mudanças, interferir em seus próprios atos, semeando atitudes de preservação e lutar pela sobrevivência do nosso Planeta.

Carnavalescos, pesquisa e
Desenvolvimento do enredo:
Raphael Torres e Alexandre Rangel

Referências Bibliográficas:

PRANDI, Reginaldo. Mitologia dos orixás. São Paulo: Companhia das Letras, 2001. / KILEUY, Ode e DE OXANGUIĀ, Vera. O candomblé bem explicado – Nações Bantu, Torubá e Fon. Rio de Janeiro: Pallas editora, 2009 / VILLAS BOAS, Marion. Os orixás sob o céu do Brasil. São Paulo: Biruta, 2013. / JÚNIOR BARBOSA, Ademir. Mitologia dos Orixás: Lições e aprendizados. São Paulo: Anubis, 2014. / SARACENI, Rubens. O livro da criação – o estudo de Olorum e dos orixás. São Paulo: Madras, 2014.

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