Morreu David Corrêa, maior vencedor de sambas da história da Portela

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Foto: Divulgação

Faleceu neste domingo (10), David Corrêa, o maior vencedor de sambas-enredo da história da Portela (sete vezes), ao lado de Noca. O compositor de 82 anos também fez história ao vencer sambas em diversas outras agremiações, como Mangueira, Salgueiro, Estácio e Imperatriz Leopoldinense, além de ser autor de clássicos gravados por Elza Soares, Almir Guineto, Maria Bethânia, Reinaldo e outros grandes nomes.

David estava internado no CTI do Hospital Naval Marcílio Dias, no Lins de Vasconcelos, desde o último sábado (2), e faleceu após apresentar piora no quadro de insuficiência renal. Ele chegou a passar por uma sessão de hemodiálise, mas não resistiu. Familiares, no entanto, dizem que o hospital informou que a causa da morte foi Covid-19. Em abril, o sambista havia passado por uma cirurgia no pulmão após ser atropelado em Jacarepaguá, mas chegou a receber alta.

Na Portela, David venceu as disputas de samba-enredo em 1973, 1975, 1979, 1980, 1981, 1982 e 2002. Na década 70, ajudou a defender o samba na Avenida por diversas vezes. Viúvo, ele deixa cinco filhos. A família ainda não informou o local do sepultamento.

O presidente Luis Carlos Magalhães, o vice-presidente Fábio Pavão e a diretoria da azul e branco de Oswaldo Cruz e Madureira lamentam profundamente o falecimento do ilustre portelense, um dos maiores expoentes da Ala de Compositores Ary do Cavaco, e se solidarizam com seus familiares e amigos. Perdemos um gigante.

Carreira brilhante

David Correa ingressou na ala de compositores da Portela em 1972. No ano seguinte, venceu seu primeiro samba na Azul e Branco, “Passárgada, o Amigo do Rei”. Em 1975, com o samba-enredo “Macunaíma, Herói de Nossa Gente””, viu sua carreira decolar após defender o samba-enredo na Avenida, ao lado de Clara Nunes e Silvinho do Pandeiro. A composição, ainda, seria gravada por Clara Nunes, com direito a clipe.

Em 1976, David lançou pela Polydor o seu primeiro LP, “Menino Bom”. Em 1981, veio o LP “Lição de Malandragem”. Ele também lançou “Pique Brasileiro”, em 1986, e “Chopp Escuro”, em 1991. Seu maior sucesso fora do carnaval foi “Mel na Boca”, eternizado por Almir Guineto. David também é autor, por exemplo, de “Bom dia, Portela”, sucesso na voz de Elza Soares, e “Estrela de Oyá”, revivida com sucesso por Reinaldo na década de 2000.

Sambas da Portela composto por David Correa:

1973 – Passárgada, o amigo do Rei
1975 – Macunaíma, herói de nossa gente
1979 – Incrível, fantástico, extraordinário!
1980 – Hoje tem marmelada
1981 – Das maravilhas do mar,
fez-se o esplendor de uma noite
1982 – Meu Brasil brasileiro
2002 – Amazonas, esse desconhecido!
Delírios do eldorado verde

Considerado um dos maiores bambas da Portela, foi homenageado diversas vezes pelo Departamento Cultural. A última delas foi em junho de 2018, quando participou de um debate sobre samba-enredo, com a presença de outros grandes compositores da escola.

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Locutor nas escolas de samba do RJ, analista de sistemas, jornalista (RG 0039675-RJ), compositor e intérprete. Administrador do site CARNAVAL CARIOCA.

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