Raphaela Caboclo revela acidente de carro que sofreu antes do Carnaval

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A porta-bandeira Raphaela Caboclo, que defendeu o pavilhão da Unidos da Tijuca no último Carnaval, contou neste sábado (18), através do seu perfil no Facebook, o drama sobre o acidente automobilístico que sofreu dias antes do desfile oficial deste ano.

Em comum acordo com diretoria tijucana, ela manteve sigilo sobre o fato ocorrido, ocultando o sofrimento e fases de recuperação até pisar na Marquês de Sapucaí, no dia 24 de fevereiro.

Confira o texto na íntegra:

CARTA ABERTA E. CONTEÚDO FORTE

Completo 3 MESES DE VIDA. Não estou louca ou passando por alguma crise relacionada a idade. Hoje marca minha chegada nesse mundo, mas também num dia 18, de janeiro de 2020 pra ser exata, a oportunidade de permanecer nele.

Nesse dia como de costume, esperei amanhecer para ir pra casa. Chamei um carro no app na Lapa e só lembro de ser acordada por uma enfermeira na maca do Salgado Filho perguntando meu nome e contando que eu havia sofrido um sério acidente de carro porque o motorista estava BÊBADO. Foram quase 22h deitada naquela maca sem poder abrir os olhos porque conseguia sentir os cacos de vidro. Só rogava a Deus, orixás, Santa Luzia, se é que eu ainda podia pedir alguma coisa visto o meu livramento: viva sem nenhuma fratura. Pedia para que não permitissem que eu ficasse cega! Confirmando minha suspeita, meus olhos estavam puro estilhaços. Alguns do tamanho de uma ervilha. Apesar das lacerações, nenhuma lesão mais grave.

Sentia meu rosto, pescoço e colo arderem por causa dos cortes. Não sei dizer com exatidão mas levei mais de 25 pontos no rosto por causa dos vidros. Aproveito para agradecer ao buco-maxilo e seu residente que foram minuciosos tentando amenizar minhas cicatrizes. Também não posso deixar de agradecer a minha cuma-afilhada Georgia que agiu TUDO naquele pós acidente; minha irmã Rúbia, Bia e Alex que literalmente seguraram minhas mãos tentando me confortar.

Só conseguia pensar no ensaio daquela noite, era sábado. Marcelino Alex chegou com a informação de que a escola não gostaria que a situação fosse divulgada. Silenciei conforme fui orientada.- Ainda em tempo, espero, venho me desculpar com os amigos, componentes e torcedores tijucanos pela minha ausência e silêncio. Agora sabem o porquê.

Quando finalmente pude me levantar pra vir pra casa, só desejava uma dose de morfina capaz de acabar com aquela dor. Tudo doía!

Não vou ficar me lamentando. Mesmo com todas as cicatrizes, tenho muito o que agradecer. A Deus, meus orixás e algumas pessoas, como já iniciei. As demais serão mencionadas no decorrer desse relato.

O pior momento da minha vida se tornou uma corrida contra o tempo, já que faltava pouco mais de 1 mês para o carnaval, dançar como porta-bandeira, o que mais amo na vida! Dia mais esperado do ano!

Pode parecer loucura, irresponsabilidade ou até vaidade ter contrariado os médicos e alguns dos poucos amigos que souberam. Mas sabe aquelas certezas que temos na vida, que argumento algum consegue destruir? Essa era a minha. Se Deus e os Orixás intercederam pela minha vida, não seriam as sequelas que me impediram de dançar.

Assim começa a minha corrida. NOSSA. Porque amor de pai e mãe não tem igual !! Rosângela Caboclo , Rúbia Caboclo e Lúcio Soares Costa, eu amo vocês!

Quando finalmente consegui abrir a boca por causa do choque e dos pontos recorri a minha amiga Aline, que para minha sorte é fisioterapeuta especialista no tipo de lesão que tive, recuperar a funcionalidade do meu rosto. Numa das nossas sessões abri minha preocupação com o aspecto das cicatrizes e a forte dor no joelho que não amenizava por nada.

Não bastasse ela, ainda trouxe mais dois anjos para o meu caminho. Anjos de verdade, que foram além do que haviam se comprometido. Thiago, fisioterapeuta do Madureira E.C., especialista em joelho. Sorte a minha? MUITA.

No decorrer dos atendimentos identificou uma torção e lesão do tendão provocados pelo impacto. Não seriam apenas compressas que resolveriam aquela dor. Seus horários de almoço passaram a ser inteiramente voltados para a minha recuperação. Com muito trabalho e disciplina a melhora foi gradativa, e no intuito de melhorar a minha confiança, ele mesmo se propôs a me acompanhar nos primeiros ensaios.

O segundo anjo é minha amiga Claudia que conseguiu uma consulta com o Dr Anselmo, dermato e cirurgião plástico que fez o melhor tratamento possível pras minhas cicatrizes naquele momento e identificou a paralisia facial, decorrente do grande impacto sofrido pelo nervo; que levaria de 3 a 6 meses para observar alguma melhora. Eu tinha menos de 2 semanas! rs Assim Aline e eu otimizamos nosso trabalho o máximo possível.

Meus dias se resumiram em inúmeros remédios, fisioterapias e ensaios.

Foto: Facebook

Não reclamo.

Uma pessoa crucial nesse processo foi Alex que foi muito presente acompanhando minha evolução de perto até conseguir dar o primeiro giro novamente. Pelos nossos anos de amizade eu sabia que ele estava preocupado, mas em nenhum momento deixou transparecer. Foi perseverante, parceiro e atento as recomendações do Thiago. Obrigada por passar tudo isso comigo!!

Geissa foi além da sua obrigação profissional. Mostrou-se humana, e grande amiga por todo seu cuidado em me preservar durante e depois desse silêncio. Na minha primeira aparição publica, ao vivo na TV. Pode parecer irrelevante, mas aquela altura minha autoestima não existia. Algumas mulheres se escondem por ter 1 espinha no rosto. Entenda o que foi aparecer com o rosto torto pela paralisia e com cicatrizes por toda parte.

Não é fácil manter-se firme, forte o tempo todo.

Tia Enice, Dinda Vilma e tio João, Caroline e tia Cris Ti Ane, Tia Deise, Lett, Tati, Feliciano, Helena, Stefânia, Cris, Thais, Ruan Pablo, Guilherme, Thay, Carina, Taynara e Ingrid, obrigada pelas preces e tentativas de animar o meu ânimo a cada visita ou mensagem.

Em meio a essa curva sinuosamente perigosa que minha vida entrou, com todos os motivos possíveis – e acredite, Ruan, eu entenderia se tivesse resolvido se afastar naquele momento. Não. Fez o extremo oposto. Sorriu e ficou.

Ouviu, incentivou e acreditou, mais do que eu, na minha capacidade. Obrigada, meu amor.

Bem… Disse que foi o pior momento da minha vida, entretanto, apesar dos desdobramentos, tive o melhor desfile da minha vida. Estava extremamente focada e decidida a dar tudo de mim. Já havia sofrido demais. E eu consegui. Dancei tudo que pude, fiz tudo o que Alex e eu havíamos planejado.

Agora olhando pra trás só consigo me encher de gratidão. Gratidão pela superação, por quem realmente me amar ter se mostrado, pela minha saúde e pela nova oportunidade para fazer valer a vida que Deus me deu. Novamente. Muito obrigada universo!!!

Só peço saúde, no mais, não irei desapontar.

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Locutor nas escolas de samba do RJ, analista de sistemas, jornalista (RG 0039675-RJ), compositor e intérprete. Administrador do site CARNAVAL CARIOCA.

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