Timoneiros da Viola reverencia Heitor dos Prazers nos 100 do samba

Agremiação faz festa na Praça Paulo da Portela, em Oswaldo Cruz, neste domingo (19) e apresenta “Bloco do amor”, de Beatriz Rabello, filha de Paulinho da Viola.

Sob as bênção de saudosos baluartes do samba e de Paulinho da Viola, padrinho e cofundador do projeto, o Timoneiros da Viola volta a aterrissar na Praça Paulo da Portela neste domingo (19), em Oswaldo Cruz, no ano em que se comemora o centenário do samba. O bloco, criado em 2012 pelo jornalista e pesquisador Vagner Fernandes, com o aval do próprio Paulinho, foi agraciado com o Prêmio Serpentina de Ouro de Melhor Bloco do Carnaval 2012, e, atualmente, é uma das mais importantes agremiações cariocas pela originalidade e importância de sua proposta de preservação de memória e prestação de homenagem ao autor de “Foi um rio que passou minha vida”.

Neste Carnaval, o Timoneiros celebrará Heitor dos Prazeres (1898-1966), compositor, pintor, instrumentista e corresponsável pela fundação de tradicionais escolas de samba, como Estácio de Sá, Portela e Mangueira. Além disso, apresentará o “Bloco do amor”, de Beatriz Rabello, filha de mestre Paulinho da Viola.

“O Heitor é um personagem de extrema relevância na construção da história do samba. Foi contemporâneo de uma infinidade de figuras históricas como Tia Ciata, Donga, João da Baiana, Pixinguinha e Paulo da Portela. Heitor levantou questões importantes com seu trabalho no que tange ao resgate e à preservação de memória da cultura negra, sem ser panfletário. Era autêntico, absolutamente verdadeiro em seus questionamentos”, destaca Paulinho.

Neste contexto preservacionista, porém não saudosista, o Timoneiros da Viola tem como objetivo o resgate da poesia e do lirismo dos antigos blocos carnavalescos do Rio de Janeiro, executando única e exclusivamente as mais belas composições de expoentes do gênero, como Bide, Marçal, Candeia, Nelson Cavaquinho, Cartola, Donga, João da Baiana, Pixinguinha e, claro, Paulinho da Viola, entre outros. O projeto envolve grupos de instrumentistas e compositores que desfilam pelas ruas de Oswaldo Cruz e Madureira, bairros famosos pela concentração das melhores rodas de samba da cidade e na qual estão sediadas duas das maiores agremiações do Carnaval carioca: Portela e Império Serrano.

Neste ano, o Timoneiros, mais uma vez, faz sua festa na rua, na tradicional Praça Paulo da Portela, em frente à Portelinha, onde saiu pela primeira vez em 2012. E mantém a tradição de se apresentar no domingo que antecede à Folia do Momo. A data, como ressaltado acima, é 19 de fevereiro, com concentração marcada para às 13h.

“A homenagem ao Heitor é repleta de simbologia. Sua obra perpassa discussões importantíssimas e extremamente atuais que envolvem etnia, religião e gênero. Heitor, no início do século passado, se vestia de baiana ao lado de amigos. O gesto já traduzia seu espírito libertário e contestador. Reza a lenda que os panos-da-costa coloridos que trazia nos ombros, peça de composição da fantasia, teriam dado origem às bandeiras das escolas de samba. Eles retiravam os panos e evoluíam nas ruas segurando-os em suas extremidades. Essa é uma das muitas curiosidades da trajetória deste artista incrível”, lembra Vagner Fernandes, presidente do Timoneiros da Viola.

A expectativa é grande. E para a festa que tem arrastado multidões, o bloco conta com uma poderosa bateria de 150 ritmistas, comandados por mestre Jonas, e com o gogó de Rixxa, incensado por sua voz de tenor (ele é conhecido como o Pavarotti do Samba). O intérprete é a voz oficial do Timoneiros e relembrará clássicos sambas Portela, como “Lendas e mistérios da Amazônia” (1970), “Lapa em três tempos” (1971), “Ilu Ayê (Terra da Vida)” (1972), “Macunaíma” (1975), “Das maravilhas do mar, fez-se o esplendor de uma noite” (1981) e muitas outras preciosidades de bambas do samba, além de verdadeiros hinos de escolas coirmãs.

Serviço:
Desfile do bloco Timoneiros da Viola
Data: 19 de fevereiro de 2017 (domingo)
Horário: 13h (Concentração)
Local: Praça Paulo da Portela (em frente à Portelinha), Oswaldo Cruz

Comentários

Comentários